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BOLETIM VÍNCUlUM
Ano XIII n° 40 – Março de 2008
EDITORIAL
O ser humano vem ao mundo como novo membro de um grupo. Ao nascer traz um grupo dentro de si e se humaniza através do vínculo que estabelece com um membro especial do grupo que o recebe. Fato que precisa ser constantemente retomado porque a tendência natural é considerar a primazia do indivíduo.
Também é fato que o dispositivo grupal vem sendo utilizado como instrumento de treinamento para o trabalho, para a convivência e desenvolvimento pessoal e tem demonstrado bons resultados.
O NESME, cuja filosofia é estudar, praticar e aprender sobre grupos convidou, neste número, dois profissionais de diferentes áreas para nos contar, um pouco, como vêm desenvolvendo suas atividades com grupos.
Boa leitura!
VINCULUM
Boletim do NESME – Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares – Ano XIII n. 40 – março de 2008.
Equipe Editorial: Beatriz Silverio Fernandes (editora), Rose Pompeu de Toledo (secretária), Betty Svartman, e Marilda Goldfeder (comissão de redação).
Tiragem: 600 exemplares.
Sede: Rua Tupi, 590, CEP 01233.001 – São Paulo – SP
Fone (11) 3826.3717.
E-mail:
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA CLÍNICA
RECONHECIDO PELO CFP/Ofício 0187-06/DIR-CFP
PSICANÁLISE DOS VÍNCULOS COORDENAÇÃO DE GRUPOS E GRUPOTERAPIA
INFORMAÇÕES (011) 3826-3717
ceppv@nesme.com.br
NESME - Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares.
CEPPV – Centro de Educação Permanente em Psicanálise dos Vínculos
CONGRESSO 2009
A organização do congresso segue firme e forte.
Os alunos e membros do NESME e da SPAGESP, assim como os profissionais do Ambulatório de Saúde Mental e CAPS – 1 de Serra Negra, têm colaborado decisivamente, indicando nomes, e avaliando indicações. Propostas de trabalhos vêm chegando. Esperamos mais nos próximos dias.
De 21 a 24 de maio de 2009, teremos o privilégio de poder conviver em Serra Negra com participantes do maior calibre. O tema central - sobre os vínculos (efeitos e perspectivas) numa sociedade em formação, tem despertado grande interesse, mais ainda por vir acompanhado do instigante complemento: conviver é preciso?
Contaremos com José Pacheco, famoso educador português, criador da revolucionária Escola da Ponte, que tem tudo a ver com nossas questões grupais, principalmente com a diversidade.
A terapeuta ocupacional, Maria de Lourdes Feriotti - cujo texto “A atividade como instrumento de transformação das relações institucionais: uma experiência no interior da instituição psiquiátrica” foi discutido em recente Encontro do NESME - também está com presença garantida; o mesmo ocorrendo com o colega da USP, Marcelo Afonso Ribeiro, que deve apresentar um importante trabalho sobre experiência inovadora de orientação profissional realizada em grupo de pessoas em situação psicótica.
Janine Puget, que reside e trabalha em Buenos Aires terá diversas participações no congresso, dando supervisões, cursos de psicanálise do casal, e terá debate com o público em sistema tipo “Roda Viva”, sobre sua imensa experiência em situações de crise e na psicanálise vincular em geral.
AGENDA
XII Congresso Brasileiro de Psicodrama
Como sobreviveremos? Ação Transformadora e Co-responsabilidade.
25 a 28 junho de 2008 – Recife – PE
www.febrap.org.br
IX Congresso Luso-Brasileiro de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo
20.11 a 01.12 de 2007 – Porto Alegre.
Informações: www.institutoabauchaim.com.br
secretaria@institutoabuchaim.com.br
ou iabuchaim@terra.com.br
Simpósio Latino-Americano – A Psicanálise nas Tramas da Cidade
11 e 12/04/2008 – Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
tel: (11) 2125-3777 E-mail: secretaria@sbpsp.org.br
II Congreso de Psicoanalisis de las Configuraciones Vinculares
15, 16, 17 de maio de 2008 - Buenos Aires – Argentina.
Promovido pela Asociación Argentina de Psicologia y Psicoterapia de Grupo
E-mail: congreso2008@aappg.org.ar
VII Congresso Brasileiro de Psicanálise das Configurações Vinculares.
V Encontro Paulista de Saúde Mental.
IX Jornada da SPAGESP.
I Encontro de Saúde Mental de Serra Negra – Formando laços.
21 a 24/ 2009 – Serra Negra – SP
tel: (11) 3826-3717 e 3825-5305
E-mail: nesme@nesme.com.br |
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ENTREVISTAS / QUESTÕES PROPOSTAS AOS DOIS ENTREVISTADOS
1. Como e onde trabalha com grupos?
2. Que sentido faz a Psicanálise das Configurações Vinculares no seu trabalho?
1. Sempre que trabalho com grupos, o faço com adultos de ambos os sexos (grupos mistos), em meu consultório.
Trabalho com grupos desde a década de 60, quando esse tipo de trabalho despertou muito interesse entre os psicanalistas.
Na esteira de Bion e dos analistas argentinos e uruguaios, fui construindo um modelo de trabalho que tentava re-figurar a abordagem analítica à situação grupal, partindo do pressuposto de que “algo diferente” do que a soma das pessoas ocorria quando as mesmas se encontravam num setting montado para a captação das experiências emocionais.
A noção de que emergia uma “fantasia grupal” regressiva para dar conta da nova situação desconhecida (um conjunto de pessoas frente a um terapeuta por elas escolhido) levava à conseqüência de serem as interpretações dirigidas a esse suposto “ente grupal”. Cabia então, aos participantes, captar o que lhes dizia respeito individualmente nesse espaço fantasmático.
Atualmente, ainda me é significativa a idéia dessa fantasia grupal, mas mudou minha maneira de ter acesso a ela. Nesse sentido, trabalho com mais liberdade interna, deixando-me sentir a dinâmica que vai se desenvolvendo, sem me preocupar de que espaço ela vem: do individual ou do grupal. Assim, não titubeio em dar as chamadas interpretações individuais (como se o grupo não existisse naquele momento – só aquela pessoa e eu). Sinto que elas não dividem os participantes, mas se constituem em oportunidade de associações que vão surgindo aqui e ali.
Freqüentemente, num dado momento, emerge em minha mente um dado – que chamaria, com Bion, de fato selecionado, que dá uma coerência ao material que se apresenta dispersamente. Minha percepção desse fato selecionado, transformada em interpretação, possui algum parentesco com as chamadas interpretações grupais dos tempos clássicos da terapia grupal psicanalítica.
Nesse balanço entre interpretação do grupo e interpretação no grupo, caminha o trabalho na sessão.
Não sinto que o trabalho grupal seja o mesmo que uma análise clássica individual. Aliás, não sei bem colocar em palavras como sinto essa diferença. Mas minha experiência diz que, em grupo, temos um viés de experiências emocionais profundas que atingem configurações inconscientes muito válidas para as pessoas se acercarem de sua Realidade Psíquica.
É isso, mais do que a idéia de cura, que me estimula persistir nesse tipo de trabalho.
Na atualidade observa-se um decréscimo na procura de terapia analítica de grupo por parte dos pacientes, cujas causas não vêm ao caso aqui. Concomitantemente surge a iniciativa dos chamados grupos homogêneos que tentam dar conta de patologias específicas. O fator cura do sintoma emerge aqui como motivação central. Talvez o trabalho grupal esteja sendo cooptado pela medicina, ou mais precisamente, por uma Medicina de resultados, e isso possa levar a um desinteresse pela pesquisa da dinâmica grupal em seu vértice psicanalítico. O tempo dirá o que resultará dessa guinada.
2. Quanto ao sentido que me faz a Psicanálise das Configurações Vinculares:
Não tenho familiaridade com essa corrente de pensamento dentro da Psicanálise, para falar do sentido que possa ter. Apenas me ocorre dizer, que só concebo Psicanálise dentro de uma experiência emocional vivida a dois num encontro. Os vínculos que aí se estabelecem são objeto das interpretações e funcionam como “rotas” que sinalizam uma experiência de Realidade Psíquica. Contudo, considero essas minhas considerações muito pobres para dar conta de todo o sentido que a pesquisa nesse campo pode oferecer.
1. Nossa vida acontece em grupos.
Minha atuação profissional me levou a olhar atentamente para as organizações de trabalho e compreendê-las como uma estrutura de grupos que se inter-relacionam e se sobrepõem.
Atuo junto a estas organizações, através de processos de intervenção que permitem a elaboração de elementos subjetivos e a re-significação destes elementos, gerando redução nos índices de conflito, aumento da produtividade e, principalmente, alívio nas tensões derivadas do dia-a-dia de trabalho e de relacionamentos sob pressão.
Atuar com os grupos permite um olhar novo e transformador a estas empresas e instituições.
Este trabalho é hoje desenvolvido através da SatyaWork, consultoria que tem a psicanálise de grupos como um dos seus pilares de atuação.
2. A psicanálise das configurações vinculares oferece um rico suporte conceitual para uma compreensão profunda das dinâmicas que levam a algumas das principais problemáticas corporativas hoje.
Grande parte das estruturas objetivas deslizam em aspectos subjetivos inconscientes que passam despercebidos ao olhar clássico dos gestores de empresa.
O papel fundamental do trabalho na sobrevivência hoje leva a uma relação entre funcionários e empresas, patrões e empregados, que reeditam ansiedades primitivas de relacionamento com nossas figuras provedores parentais. São, portanto, vínculos profundos que provocam reações muito viscerais. A percepção psicanalítica permite identificar estes aspectos e oferece ferramentas ricas para a intervenção.
Grupos de tarefa, grupos de reflexão, ou mesmo processos de diagnóstico qualitativos, podem levar a resultados surpreendentes. Vejo como fundamental, no entanto, destacar o papel de uma formação consistente na área de grupos para que a coordenação deste trabalho não leve a desestruturações perigosas, uma vez que estamos trabalhando com um enquadre não psicanalítico, com processos breves e com pessoas que mantém uma relação extra-grupo.
A Psicanálise das Configurações Vinculares é uma abordagem rica e profunda, e por isso mesmo demanda uma formação séria e sua utilização com responsabilidade.
NESME DIA-A-DIA
“Os homens passam e as instituições permanecem.” (dito popular).
Rose Pompeu de Toledo ocupa o cargo como presidente interina até o final do mês de março/2008.
- No final de 2007; realizamos a jornada interna dos alunos do curso de especialização com apresentações de trabalhos de ótimo nível, como também a formatura da primeira turma.
- A nossa colega, Solange Emilio, recebeu o primeiro premio na categoria “trabalho Individual" com o tema: "Laços, amarras e nós no processo de inclusão", promovido pelo Conselho Federal de Psicologia. A equipe do Nesme parabeniza e se orgulha da nossa companheira Solange.
- Iniciamos 2008, com a discussão dos textos: “A atividade como instrumento de transformação das relações institucionais: uma experiência no interior da instituição psiquiátrica”
de Maria de Lourdes Feriotti (encontro de fevereiro).
A autora traça uma trajetória histórica de mudança no atendimento da terapia ocupacional.
- As configurações vinculares no pequeno grupo potencializando e/ou limitando seu processo,
de Nédio Seminotti e Cassandra Cardoso – Revista do NESME n.4, p. 26-37. (encontro de março).
O autor discute as pertenças do sujeito aos pequenos grupos, desde a perspectiva da psicanálise das configurações vinculares como organizadoras de seus processos.
A revista Vínculo no. 4 está publicada no PE@PSIC – site www.bvs-psi.org.br – Biblioteca Virtual em Saúde e Psicologia
Participações: Bia e Valdemar participaram com apresentação de trabalhos no Congresso Luso-Brasileiro realizado no inicio de dezembro, em Porto Alegre.
A área de família (Ana Margarida, Cecília, Marilda e Ruth), escreveu um capitulo: A psicanálise das configurações vinculares e a terapia familiar
para o Livro Manual de Terapia Familiar. Ed. ArtMed, organizado por Luiz Carlos Osório e Elisabeth do Valle; será lançado durante o Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, de 21 a 23 mês de agosto/2008, em Gramado, R.S.
Congressos: Apresentarão trabalhos no II Congresso de Psicanálises de las Configurações Vinculares- Buenos Aires – em maio, os colegas: Rose Pompeu, Amaury Ruffato, Beatriz e Waldemar Fernandes, Ruth Levisky.
Marilda Goldfeder
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